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Caso David Ruan: Defesa de Ian Vitor aponta provas robustas, contesta motivação apontada pela acusação e nega qualquer ligação com duplo homicídio em Juazeiro

Testemunhas ouvidas pela Justiça teriam negado suposto relacionamento apontado como motivação do crime e, segundo a defesa, não há provas de que Ian Vitor tenha ordenado ou participado das mortes de David Ruan e José Batista

O Tribunal do Júri da Comarca de Juazeiro, no norte da Bahia, realizará nesta sexta-feira, 10 de julho, a partir das 8h, o julgamento de quatro acusados pelas mortes de David Ruan de Souza Silva e José Batista de Queiroz Filho, ocorridas em 6 de janeiro de 2024, no Povoado de Campos, zona rural do município.

Entre os acusados está Ian Vitor Andrade Ribeiro, apontado pelo Ministério Público da Bahia como suposto mandante do crime. A defesa, no entanto, contesta frontalmente essa versão e afirma possuir elementos robustos que demonstrariam a inexistência de qualquer ligação de Ian Vitor com os homicídios.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Henrique Nascimento da Silva, Mateus da Silva Pereira e Ezequiel Barbosa Silva teriam efetuado os disparos que mataram David Ruan e José Batista, supostamente a mando de Ian Vitor.

A acusação sustenta que o crime teria sido motivado pelo relacionamento de David Ruan com uma mulher apontada como ex-namorada de Ian Vitor. Entretanto, de acordo com a defesa, essa versão seria contrariada por depoimentos já prestados à própria Justiça.

Testemunhas teriam negado versão sobre suposta motivação do crime:

Ouvido pela reportagem, um assessor ligado ao advogado de defesa de Ian Vitor, Dr. Sátiro Ferraz, afirmou que a acusação não corresponde à realidade dos fatos e que existem provas consideradas robustas pela defesa para afastar qualquer participação do réu no duplo homicídio.

Segundo o defensor, duas testemunhas já ouvidas judicialmente, sendo uma delas ex-namorada de David Ruan, teriam afirmado que nunca mantiveram relacionamento amoroso com Ian Vitor.

Os depoimentos, na avaliação da defesa, colocariam em dúvida justamente a suposta motivação passional apresentada pela acusação.

Ainda segundo a defesa, essas testemunhas também teriam negado qualquer conhecimento de que Ian Vitor houvesse ordenado a morte de David Ruan.

Outra testemunha, conforme informado pelos defensores, teria declarado jamais ter presenciado Ian Vitor portando armas de fogo ou adotando comportamento violento.

Para a defesa, esses depoimentos representam elementos importantes para demonstrar que a narrativa construída contra o acusado não encontraria sustentação nos fatos.

Defesa diz que Ian Vitor estaria sendo julgado por associação à imagem do pai biológico:

A defesa levanta ainda outro ponto considerado relevante: Ian Vitor estaria sendo injustamente associado à reputação criminal atribuída ao seu pai biológico.

Segundo os advogados, Ian Vitor jamais teria convivido com o pai, em razão de abandono paterno, e não poderia ser responsabilizado ou ter sua imagem vinculada a atos eventualmente praticados por outra pessoa apenas em razão do vínculo biológico.

Para os defensores, essa associação teria contribuído para a criação de uma narrativa equivocada sobre a personalidade e o suposto envolvimento de Ian Vitor no caso.

A tese da defesa é de que cada acusado deve ser julgado exclusivamente pelas provas concretas existentes contra ele, não por vínculos familiares, reputações de terceiros ou suposições.

Vídeos atribuídos a David Ruan também circulam nas redes sociais:

Enquanto familiares de David Ruan realizam manifestações nas redes sociais e em blogs locais pedindo justiça, também vêm sendo amplamente compartilhados em grupos de WhatsApp e outras plataformas vídeos atribuídos à vítima.

Em uma das publicações, a mãe de David Ruan afirma que o filho “era um rapaz bom, da paz, que nunca fez mal a ninguém”.

Por outro lado, nas gravações que circulam na internet, um homem identificado nas publicações como sendo David Ruan aparece portando armas de fogo ao lado de outros indivíduos, fazendo ameaças contra supostos integrantes de um grupo rival e afirmando que estaria a caminho da residência de um suposto “traidor” para executá-lo.

Vídeo:

A autenticidade, a integridade e o contexto completo desses vídeos não foram objeto de pronunciamento judicial conhecido pela reportagem até o momento. Portanto, o conteúdo, isoladamente, não constitui prova judicial definitiva, cabendo ao Tribunal analisar sua eventual origem, autenticidade e relevância para o julgamento, caso tenha sido formalmente incorporado ao processo.

Julgamento deverá confrontar acusação e provas apresentadas pela defesa:

O Conselho de Sentença terá a responsabilidade de analisar as provas produzidas durante a instrução processual, os depoimentos apresentados em plenário e os argumentos sustentados tanto pelo Ministério Público quanto pelos advogados de defesa.

No caso específico de Ian Vitor, a defesa deverá buscar demonstrar aos jurados que não existem provas suficientes de que ele tenha ordenado ou participado das mortes e que a própria motivação apresentada pela acusação seria contrariada por depoimentos de testemunhas ouvidas pela Justiça.

Caberá aos jurados avaliar individualmente a responsabilidade criminal de cada um dos quatro acusados, sem que a eventual conduta atribuída a um réu seja automaticamente transferida aos demais.

O julgamento está previsto para começar às 8h desta sexta-feira, 10 de julho, no Tribunal do Júri da Comarca de Juazeiro.

Até que exista decisão judicial definitiva, Ian Vitor e os demais acusados devem ser considerados inocentes, conforme estabelece o princípio constitucional da presunção de inocência.

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